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O percurso para o trabalho ou faculdade se torna prazeroso quando é feito com uma boa trilha sonora. Seja no fone de ouvido ou no som do carro, milhares de pessoas curtem o trajeto ouvindo música, o que geralmente faz com que o tempo passe mais rápido. Contudo, é preciso ficar atento. O uso excessivo de aparelhos sonoros, sobretudo fones de ouvido, pode levar a uma perda gradual da audição.

Por conta da utilização abusiva de aparelhos eletrônicos e da exposição prolongada em locais públicos, como baladas e shows, é justamente o jovem o grupo com maior predisposição a desenvolver problemas auditivos, conforme explicou em entrevista à Tribuna da Bahia a otorrinolaringologista geral Leila Alves Cardoso Carinhanha.

“Os dados são alarmantes e a principal causa de perda auditiva em jovens hoje é o ruído exagerado e por tempo prolongado em fones de ouvido, que gera lesão das células sensoriais da audição. A recomendação é reduzir o som dos fones, limitar o uso desses equipamentos. Como as perdas geralmente são lentas e graduais, o paciente demora pra identificar que tem algum problema auditivo, então a dica principal é procurar um otorrinolaringologista anualmente, em qualquer idade, para zelar pela sua saúde auditiva”, recomendou.

Segundo ela, os primeiros sintomas da perda de audição podem ser identificados em ações simples do cotidiano, como passar a aumentar o som da televisão e de outros aparelhos eletroeletrônicos, viver pedindo que as pessoas repitam o que acabou de ser dito e começar a se isolar do convívio social. “Ocorre que, como as conversas ficam cansativas, porque as pessoas com perda auditiva ouvem mas não entendem, isso gera um estresse. Elas desistem de atividades de lazer, festas, teatros, eventos com ruídos ao fundo que agravam a compreensão da fala. Quando chega a esse ponto é mais grave, e precisa urgente de tratamento”, disse.

Sobre a identificação da perda da audição, o otorrinolaringologista Otávio Marambaia conta que geralmente o indivíduo demora a perceber o problema. “Via de regra, a percepção da perda auditiva costuma ser das pessoas que convivem conosco, pois normalmente as perdas tem lenta progressão. A exceção é o caso da surdez súbita que, como o nome diz, é a perda rápida e profunda. Este último caso representa um quadro urgente e que necessita a imediata procura pelo atendimento com o otorrino”, afirmou.

Principais tipos

Segundo Marambaia, são três as principais causas que levam à perda de audição. “A causa mais comum de perda auditiva é a presbiacusia, que é a surdez provocada pelo envelhecimento. A segunda é a perda auditiva induzida pelo ruído, evitável ou reduzida com

o uso de EPI [protetor auditivo] no ambiente de trabalho. E a terceira é o uso abusivo de aparelhos sonoros, como fones de ouvido. A velhice, infelizmente, não pode ser evitada, muito embora o uso de aparelhos auditivos, quando indicados por otorrino, pode reduzir os danos e manter a audibilidade por mais tempo. As demais são evitáveis com proteção sonora e o uso racional de fones de ouvido”, destacou.

Há ainda, conforme explicou a otorrinolaringologista Leila Carinhanha, a perda auditiva provocada por infecções nos ouvidos, fatores genéticos e uso de medicamentos. Ela reforçou que, independente da motivação, é essencial visitar regularmente um especialista para detectar e tratar precocemente o problema.

O mesmo é recomendado por Otávio Marambaia. “Se já passou dos 40 anos, mesmo que não aparente perda auditiva, é importante a consulta com a realização de uma audiometria. Daí seu médico lhe dará as orientações necessárias para manter uma boa audição”, disse, acrescentando outras formas indicam perda auditiva, com destaque à surdez súbita.

“Sempre que percebemos dificuldades em entender o que outra pessoa estiver falando, quando estivermos sentindo a necessidade de aumentar o volume do rádio ou da TV ou outras pessoas estiverem nos avisando que não estamos atentos ao que falam podem ser sinais. A ‘prova dos nove’, no entanto, deve ser tirada numa consulta com seu otorrinolaringologista e a realização de exames audiológicos adequados. [Sobre a surdez súbita] trata-se de uma perda que habitualmente é unilateral. Neste caso, o paciente deve procurar o médico otorrinolaringologista para diagnóstico e tratamento nas primeiras 24 horas do ocorrido, como forma de evitar um perda auditiva permanente com ou sem zumbido. O diagnóstico deve ser feito precocemente, já que algumas outras doenças neurológicas podem estar envolvidas também. O tratamento a ser instituído depende da precocidade do atendimento”.

Fonte: Tribuna da Bahia