quebra

Um novo desafio viral chamado de ‘quebra-crânio’ que começou na Venezuela e ganhou destaque na internet nos últimos dias, já começou a chegar em algumas escolas brasileiras, gerando preocupação entre pais e professores devido aos perigos da prática. A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) divulgou um comunicado alertando sobre os riscos dessa brincadeira.

“Esta queda pode provocar lesões irreversíveis ao crânio e encéfalo (Traumatismo Cranioencefálico – TCE), além de danos à coluna vertebral. Como resultado, a vítima pode ter seu desempenho cognitivo afetado, fraturar diversas vértebras, ter prejuízo aos movimentos do corpo e, em casos mais graves, ir a óbito”, diz.

A SBN ressalta ainda que o caso pode ser enquadrado como um crime. “O que parece ser uma brincadeira inofensiva, é gravíssimo e pode terminar em óbito. Os responsáveis pela ‘brincadeira’ de mau gosto podem responder penalmente por lesão corporal grave e até mesmo homicídio culposo”, completa a nota.

A brincadeira é realizada com a participação de três pessoas, que ficam lado a lado. Enquanto as duas das extremidades pulam, a do meio, que não sabe como o jogo funciona, pula também. E é neste momento que os dois aplicam uma rasteira no participante desavisado, causando a sua queda.

CONSEQUÊNCIA

Em novembro do ano passado, uma jovem de 16 anos que participava da brincadeira morreu em Mossoró (RN). Com a circulação dos vídeos, o tema voltou à tona na cidade onde Emanuela Medeiros da Costa, morreu. Segundo a prefeitura de Mossoró, o episódio seria abordado durante a jornada pedagógica com professores e gestores. “Até com vídeos alertando sobre os perigos da brincadeira, chamada de quebra crânio, roleta humana ou desafio da rasteira”, disse a prefeitura.

Com isso, muitos especialistas têm chamado a atenção para os riscos que este novo viral traz. Ele pode causar, por exemplo, traumatismo craniano, levando ao coma e até mesmo à morte, dependendo da gravidade. Há ainda o risco de fratura nos punhos, caso o participante caia sobre as mãos na tentativa de amortecer a queda, além de fraturas na coluna, mesmo que a altura não seja grande

Especialistas explicam, ainda, que as pessoas que idealizaram essa brincadeira não se atentaram à gravidade. É uma brincadeira que pode levar à morte, tanto que vitimou a adolescente no Rio Grande do Norte. O risco principal é para a cabeça. Quando se cai de costas, a cabeça fica muito exposta a ter um trauma direto, no crânio, ou uma lesão interna.

PREOCUPAÇÃO

O funcionário Público Roberto Santos, que tem um filho de 12 anos, fala da preocupação em manter seu filho seguro com as novas tendências da internet. “Tive que criar um grupo nas redes sociais para alertar outros pais sobre o assunto. Vou utilizar o grupo agora para informações de utilidade pública”, disse.

Roberto falou, ainda, para que todos fiquem atentos com as escolas onde seus filhos estudam, “pois esta brincadeira aberrante que está circulando onde já houve crianças com fratura craniana e leva a graves seqüelas ou a morte, é de verdade uma ameaça para as crianças”, destacou.

Ele conta que junto com a mensagem envia um vídeo mostrando os adolescentes, um ao lado do outro, fazendo o que é apontado como o mais recente desafio entre jovens. “No entanto, como de costume em debates sobre febres da internet, como já ocorreu com a ‘momo’ e com o chamado ‘desafio da baleia azul’, os compartilhamentos sobre o ‘desafio da rasteira’ misturam fatos reais com uma dose de desinformação e pânico. Temos que ter cuidado com isso também”, alertou.

O perigo dos desafios na internet

O caso de Mossoró, embora não se trate especificamente do chamado “desafio da rasteira”, evidencia os perigos de comportamentos nocivos que ganham palco e audiência na internet. Em 2018, por exemplo, a BBC News Brasil reportou o caso de uma menina de sete anos de São Bernardo do Campo (SP) que morreu depois de inalar desodorante aerosol, copiando o que havia visto em um vídeo na internet.

A própria ONG DimiCuida, de Fortaleza, foi criada em homenagem a um jovem de 16 anos que morreu praticando o “jogo do desmaio”. E, assim como estes, há também vídeos online com desafios da canela, da camisinha, da buzina etc.

A pesquisa TIC Kids Online, que ouviu, entre outubro de 2018 e março de 2019, 3 mil famílias brasileiras com filhos entre 9 e 17 anos a respeito de seus hábitos na internet, apontou que 16% das crianças entrevistadas disseram ter visto online formas de machucar a si mesmas; e 14% tiveram contato com conteúdo que mostrava como cometer suicídio.

Quase a metade viu alguém ser discriminado na internet nos 12 meses anteriores ao estudo.

Um agravante é que, na adolescência, ainda não foi plenamente desenvolvido o córtex pré-frontal, área do cérebro responsável por controlar a impulsividade e a avaliação de riscos de nossas ações. Ou seja, adolescentes são, fisiologicamente, mais suscetíveis a situações de risco.

Fonte: Tribuna da Bahia