Embora índices de óbitos venham caindo, vacina não é passaporte para exposição sem necessidade, que faz a disseminação seguir a todo vapor

Tribuna da Bahia, Salvador

Por Lily Menezes

A melhora dos indicadores do novo coronavírus em Salvador e em toda a Bahia traz otimismo, e também o lembrete de que a pandemia ainda não acabou: nos últimos dias, foi atingida a lamentável marca de 25 mil vidas perdidas para a Covid-19 em todo o Estado. Um dado continua se alterando: o perfil de quem é mais atingido e eventualmente vitimado pela doença. “No começo da pandemia, a predominância era de uma pessoa mais velha, com comorbidades. Agora, esse perfil vem se alterando”, disse a subsecretária da Sesab Tereza Paim. Ainda que os casos com comorbidades ainda sejam maioria, representando 60% dos óbitos, a mortalidade entre pessoas mais jovens anos aumentou. No intervalo entre 20 de junho e o fechamento desta edição, 34% dos 2073 falecimentos foram registrados entre pessoas com até 49 anos, de acordo com levantamento da reportagem baseado nos boletins diários divulgados pela Sesab. A pasta não tem dados relacionados à situação vacinal dos que foram a óbito, mas a subchefe pondera que muitos tomaram apenas a primeira dose.

Com a vacinação, os níveis de fatalidade para os idosos diminuíram consideravelmente; assim, os mais novos estão mais suscetíveis, devido ao ritmo mais lento da campanha. Em Salvador, as pessoas com menos de 30 anos devem levar mais algum tempo para verem a vacina no braço. “Nós gostaríamos de ter uma cobertura de imunização maior, mas no momento ainda não é possível. O jovem acaba ficando totalmente desprotegido, e como se expõe mais, acaba se contaminando”, enfatizou Paim. Segundo ela, a maior parte dos 10.126 casos ativos do novo coronavírus é formada, por pacientes abaixo dos quarenta anos, além de representarem a maior parte dos internados nas unidades do sistema público de saúde. Na visão dela, a taxa de letalidade mais reduzida para este público acaba sendo um encorajador para o relaxamento das medidas de proteção. “Como não é frequente que esses pacientes culminem em óbito, ele acaba se expondo mais”. O problema é que por mais que o jovem não vá sentir nada, pode servir como vetor do vírus e trazer a doença para as pessoas de seu convívio.

O maior dos equívocos, especialmente para quem está vacinado, é acreditar que passará ileso pela covid, e que poderá ignorar qualquer protocolo, como abandonar o uso da máscara; a principal função da vacina é a redução dos quadros graves de internação e dos óbitos provocados pela doença, de forma que as medidas sanitárias devem ser mantidas enquanto o vírus estiver circulando. “É preciso entender que mesmo com a imunização, o vírus ainda está aí, a pandemia ainda está aí. A pessoa ainda pode contrair e transmitir a doença. Nós estamos falando a mesma coisa desde o início: tem que ter a higienização e a imunização. É importante manter o esquema vacinal completo”, alertou a subsecretária da Sesab, que voltou a negar a circulação da variante Delta na Bahia. “Nenhum sequenciamento nosso tem essa variante. O negócio é testar, testar e testar. Principalmente o turista, nessa nova fase de retomada da economia”.